Podia percorrer todo o mundo, mas não vou sentir-me em casa por estar perdida naquilo que sinto. Quero pensar que tudo vai mudar, mas não existe uma minúscula luz que me indica o caminho. Sinto-me a perder na escuridão, a ser puxada pelas trevas. Sinto-me no jardim a olhar sem rumo enquanto o meu mundo desaba, nas paredes de porcelana que constitui o meu corpo. Sentir ser comandada por uma mão invisível com ordens de outrem, esperando ser libertada pelo desgaste. Sentir privilegiada por um lado, um vazio que preenche o meu corpo, roubando a minha personalidade que mal existia. Não se sentir ser suficiente por quererem sempre mais, por se sentirem melhores do que os outros. Procurar um refúgio, nem que seja numa cabana. Sentir que não sou útil sendo empregada, não ser útil como empregadora, não gostar de decoração, não gostar de moda, não ver mais nada do que o vazio. Permito-me mais em ser triste e sem vida do que me agarrar a esta, mesmo que tenho de me permitir cuidar de outra pessoa...
Sinto-me mais perdida do que nunca e não sei o que faça. Sinto que perdi o resto da alegria que sentia. Sentir raiva de tudo e mais alguma coisa e não saber como posso sair desse buraco ou controlar isso que eu sinto. Sempre senti que tenho que fazer o que os outros querem e não querer que tenha o controlo da minha vida. Quero ter tempo para mim, para puder encontrar-me no tempo, de finalmente puder ter noção do que eu sou realmente. Já não sei dos conhecimentos que tenho. J á não sei do que realmente gosto de fazer nos tempos livres, algo que me sufoca a cada instante. Não sei aonde isto vai acabar. Sentir que estou num limbo entre a vida e a escuridão, enquanto tento não cair no escuro incerto, sentindo vários fios a sustentar-me numa mão que me guia sem que a possa sentir, prestes a me prejudicar. O peso que a beleza un...